História da Freguesia
Situada no extremo Este do concelho de Mértola e seu limite com a fronteira espanhola, na margem direita do rio Chança, no cruzamento dos antigos caminhos que seguiam em direcção à Mina de S. Domingos, Mértola e ainda, os lugares de Alves, Picoito e Pomarão, a freguesia de Santana de Cambas dista da sua sede de concelho cerca de 12 km.
Ocupando uma área de 16,4 hectares, é composta pelos seguintes lugares: Achada do Gamo, Alves, Bens, Estação de Salgueiros, Formoa, Moitinha, Monte da Costa, Monte Moreanes, Monte Sapos, Monte Serralhas, Montes Altos, Picoitos, Pomarão, Salgueiros, Santana de Cambas e Telheiro.
O povoamento na freguesia deve remontar ao período de transição do Neolítico para o Calcolítico. No cimo de um outeiro, na confluência da ribeira de Chança com o rio Guadiana foram localizados vestígios de um castro lusitano, que terá sido aproveitado por civilizações chegadas àquele lugar numa época posterior.
Os fenícios, sob a vigilância desse castro, terão estabelecido uma feitoria na margem direita do Guadiana e, nessa época, segundo João de Almeida, já aquele “consistiria num florescente Oppidum, com seu importantíssimo porto fluvial, por onde se fazia uma larga exportação de minérios, explorados nas regiões próximas das bacias do Guadiana e ribeira de Chança”. A partir do ano de 439, os alanos conquistaram aquele lugar, cessando-se o tráfego comercial pelo Guadiana.

Pomarão, apenas a partir do século XIX reiniciaria a actividade do seu porto. Na sequência de um contrato de arrendamento e cessão de direitos de exploração das Minas de S. Domingos por parte de Nicolau Biava àquela que viria a constituir-se como a Sociedade de La Sabina, e ainda, da fundação da Companhia Mason & Barrry, foi concedida uma autorização, em 1860, para se montar um “tramway” ou “caminho de ferro americano” até ao Pomarão, ponto onde o rio era navegável.James Mason, aquele que viria a associar La Sabina à Companhia Mason and Barry, vendo garantida a comercialização do minério, via Inglaterra, e considerando premente minimizar o tempo de escoamento do minério, a partir de S. Domingos, local verdadeiramente ermo, apresenta a seguinte comunicação à Exposição Internacional do Porto: “Sem o rio Guadiana de tão fácil navegação em uma tão longa distância, sem um tão bom porto de embarque, como o Pomarão e o caminho de ferro construído pela empreza, a mina de S. Domingos teria a sorte de muitas outras que vivem rachiticas à falta de fácil circulação”.
Deste modo, tentando vencer-se a distância entre as minas e a margem portuguesa do rio, foram montadas as primeiras linhas ferroviárias do país, que ligavam então a Mina de S. Domingos ao Pomarão.
A importância deste porto de embarque foi tal, que este estabelecimento mineiro – ainda antes de se ter concessionado a exploração da Mina da Bicada, em Santana de Cambas, conjuntamente com uma outra, denominada Chança – aparecia já designado por “Minas de Pomarão”. James Mason era considerado um homem de mérito. Foi-lhe concedido o título nobiliárquico de Barão do Pomarão.
Consciente de que a “prosperidade da empresa dependia da sua versatilidade introduziu fábricas de tratamento e aproveitamento do minério de teor mais fraco, a par da produção de enxofre. Estas estações de tratamento do minério foram edificadas ao longo da via férrea, junto às quais se construíram pequenos povoados, tais como Achada dos Salgueiros e Achada do Gamo.
O novo porto do Pomarão logo atraíra o tráfego das redondezas e causou uma progressiva desorganização dos circuitos que então existiam. Envolta aquela localidade em fumos negros das chaminés, ruídos constantes das máquinas em laboração, Santana de Cambas tinha-se definitivamente transformado.
Traçada esta perspectiva evolutiva daquele importante lugar de Santana de Cambas, urge fazer-se referência aos aspectos mais gerais, que fazem, ainda, a história desta freguesia.

Pertenceu à coroa e foi curato da apresentação do arcebispo de Évora, no termo da vila de Mértola, na antiga comarca de Ourique. O seu cura tinha de renda 180 alqueires de trigo e 60 de cevada.
A sua igreja paroquial deve datar do século XVII. Conforme documentação religiosa de 1758, apresentava-se com três naves e seis colunas. Nela existiam três irmandades, a saber: a irmandade das Almas, a de Nossa Senhora do Rosário e a do Santíssimo Sacramento.
Situavam-se ainda, na actual freguesia, duas ermidas, uma dedicada a S. Bento e outra a S. Domingos, junto da qual havia “hum pego que conçerva agoa todo ano, que tem vertude pera curar sarna asim há gente como aos gados”, citam também as referidas memórias.

